Às vezes passamos por situações tão dolorosas que, no fundo do coração, surge uma pergunta difícil: “Deus, por que o Senhor permitiu que isso acontecesse comigo?” Ou até algo mais difícil: “Será que o Senhor não teve alguma responsabilidade nisso?”
Muitas vezes sentimos que não deveríamos falar assim com Deus. Pensamos que, se temos fé, precisamos esconder esses pensamentos, como se Deus pudesse se ofender com a nossa sinceridade.
Mas a Bíblia nos mostra algo diferente.
Quando o filho da viúva de Sarepta morreu, Elias ficou profundamente abalado. Ele havia sido hospedado por aquela mulher e havia visto Deus sustentá-la durante a fome. Então, diante da morte do menino, Elias se dirige a Deus:
“Ó Senhor, meu Deus, por que fizeste esta coisa tão terrível para esta viúva? Ela me hospedou, e agora tu mataste o filho dela!” (1 Reis 17:20, NTLH)
Elias não escolheu cuidadosamente as palavras para parecer espiritualmente correto. Ele falou a Deus aquilo que estava sentindo e aquilo que, naquele momento, estava entendendo da situação.
Isso não significa que Elias estivesse estabelecendo uma doutrina de que Deus havia cometido uma injustiça. Ele estava diante de algo que não compreendia e levou sua perplexidade, sua dor e sua indignação diretamente a Deus.
E o que Deus fez?
Não encontramos uma repreensão de Deus dizendo: “Elias, você não pode falar assim comigo.” A narrativa continua mostrando Elias orando, pedindo que o menino voltasse à vida, e Deus respondendo à sua oração.
Isso nos ensina algo importante sobre a oração: Deus não precisa que escondamos dele aquilo que existe dentro de nós.
Podemos chegar diante dele com a nossa fé, mas também com as nossas dúvidas. Podemos chegar com confiança, mas também com medo. Podemos agradecer, mas também chorar. Podemos não compreender o que Deus está fazendo e dizer isso a Ele.
Os Salmos estão cheios desse tipo de oração. “Até quando, Senhor?”, “Por que estás tão distante?”, “Por que permitiste isso?”. São perguntas feitas por pessoas que continuam falando com Deus justamente porque ainda esperam alguma coisa dele.
A sinceridade diante de Deus não é falta de fé.
Às vezes, talvez a maior expressão de fé seja justamente continuar falando com Deus quando estamos magoados com aquilo que aconteceu e não conseguimos entender por quê.
Não precisamos fingir diante daquele que conhece o nosso coração.
Podemos dizer: “Senhor, eu não estou entendendo. Estou sofrendo. Estou até pensando que o Senhor poderia ter evitado isso. Não sei se estou pensando corretamente, mas é assim que estou me sentindo.”
Depois podemos acrescentar: “Mesmo sem entender, continuo falando com o Senhor.”
Isso é muito diferente de abandonar a fé.
A oração não é o lugar onde precisamos parecer bem diante de Deus. É o lugar onde podemos finalmente ser verdadeiros diante dele.
Posso dizer a Deus até aquilo que penso sobre Deus, inclusive quando suspeito que Ele tenha errado — não porque eu tenha certeza de que Ele errou, mas porque Deus é o único diante de quem posso colocar honestamente essa dor e pedir que Ele me mostre a verdade.
Gd
As vezes somos tão racionais em falar com Deus, que por mais que quizemos ou penssamos algo esta errado, como sendo Deus perfeito, pode ser qualquer um menos Ele. Mas existe um grande problema nisto, nossas emoções não são racionais pelo contrário elas podem se tornar em doenças se não tratadas. Por isso a razão não suplantou a fé de Elias e não pode deixar que falemos com Deus sem emoção. Obrigado Gd!
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